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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Falando mais sobre a Pedagogia Waldorf

Pedagogia Waldorf
por Silberto Azevedo



O que é uma Escola Waldorf?

A primeira escola Waldorf surgiu em 1919, na Alemanha, sob a orientação de Rudolf Steiner (1861-1925), filósofo, cientista e artista austríaco. Ela foi criada a pedido de Emil Molt, industrial, para atender os filhos dos operários e funcionários da fábrica de que era diretor. Foi uma experiência de sucesso.

Hoje, as escolas Waldorf formam a maior rede de ensino em crescimento no planeta. Estão nos cinco continentes. E embora tenham sido criadas na Alemanha, buscam incentivar e incorporar a cultura do país em que se encontram.

No Brasil, a primeira escola foi criada em 1956, em São Paulo. A partir de então, o movimento tem se expandido com novas escolas em Florianópolis, Ribeirão Preto, Friburgo, Juiz de Fora, Botucatu, Belo Horizonte, entre outras.

Não há administração central; cada escola é independente. Há, contudo, associações que apóiam o movimento, promovendo congressos de atualização de professores e muitas vezes, ajuda financeira para escolas de poucos recursos materiais.

No Brasil, tanto existem escolas destinadas à classe média, quanto dirigidas à população mais carente. Em São Paulo surgiu a escola na favela Monte Azul, onde se realiza um intenso trabalho de caráter social.

Os pais e a família têm papel preponderante na escola. Geralmente se entusiasmam pela proposta e colaboram para que ela possa ser viabilizada.

O que é a Pedagogia Waldorf?

A Pedagogia Waldorf é baseada nas observações de Steiner sobre a entidade humana. Ele chamou de Antroposofia à sistematização do conhecimento que obteve em suas pesquisas (Anthropos = homem; Sofia = conhecimento. Antroposofia = conhecimento da natureza humana).

Steiner descreve o ser humano sob vários ângulos complementares. Dois deles têm efeito direto na educação: a constituição humana, e o desenvolvimento da personalidade em ciclos de 7 anos (setênios).

Para Steiner, o ser humano é constituído de três veículos de expressão: o corpo, as emoções e a mente. A esses três veículos correspondem três funções: o querer, o sentir e o pensar. Todos esses aspectos precisam ser educados com a mesma atenção para a plena realização do potencial humano. Esse é o objetivo da Pedagogia Waldorf, e por isso ela desenvolveu atividades para cada um daqueles aspectos.

O corpo é educado por meio de atividades práticas como jardinagem, marcenaria, construção, ginástica, trabalhos manuais, entre outras. A educação do corpo, tal como é praticada nas escolas Waldorf, fortalece o caráter da criança, pois desenvolve a sua força de vontade, criando nela qualidades como a disposição para enfrentar dificuldades e a perseverança.

As emoções são educadas por meio da arte: música, canto, desenho, pintura, literatura, teatro, trabalhos manuais, recitação, escultura, e cerâmica. Por meio da expressão artística, são dadas muitas oportunidades para o refinamento da sensibilidade, harmonização de conflitos na área afetiva e interação social.

Dentro do currículo Waldorf, desde o jardim de infância, incluem-se aulas de culinária, modelagem, pintura, desenho livre e trabalhos manuais, bordado, tricô e marcenaria) poesia, teatro (contos de fada, contos populares, fábulas e lendas) , exposições, músicas e festa na escola.

A mente é educada por meio da transmissão do conhecimento já adquirido pelo homem de forma balanceada e adequada à idade do aluno. Nas Escolas Waldorf busca-se cultivar o sentimento de admiração que as crianças têm em relação à natureza e ao mundo como forma de manter vivo o seu interesse em aprender. Arte e atividades práticas são também instrumentos a serviço das matérias acadêmicas.

Com a educação integrada de todos os aspectos do seu ser, a criança aprende a não dissociar seus pensamentos, sentimentos e ações. Torna-se um adulto equilibrado e coerente.

Os setênios

É de conhecimento geral algumas crises básicas na biografia humana:

Aos 7 anos – a troca dos dentes
Aos 14 anos – a puberdade
Aos 21 anos – maioridade

Os primeiros 7 anos de vida são dedicados ao conhecimento do corpo, seus limites e capacidades. A aprendizagem nesse período é realizada principalmente por vias inconscientes, baseada na imitação. A criança estrutura as suas experiências por meio das brincadeiras que brotam da sua imaginação. A virtude básica que a criança precisa ver manifestada ao seu redor é a gratidão pela vida. O mundo é bom!

Quem são os profissionais que preparam os alunos de uma forma tão abrangente?

Um professor Waldorf é um ser humano que busca, sobretudo seu autoconhecimento, assim ele estimula o desenvolvimento dos seus alunos, mas ele deve estar em constante desenvolvimento.

Os professores possuem habilidades de conduzir a criança para a socialização sem violentar o seu mundo interior. Deve respeitar e incentivar a sua criatividade e imaginação ao mesmo tempo em que a ajuda a adquirir bons hábitos de vida: ritmo, disciplina, respeito para com os outros.

A educação no primeiro setênio se dá pelo exemplo. O que o professor é conta mais do que as atividades propostas ou as técnicas usadas.

A relação professor-aluno é o aspecto mais importante para uma educação integral. Informações podem até ser transmitidas por meio eletrônicos. Educação, não. Na Escola Waldorf, há condições bastante propícias ao aprofundamento dessa relação.

Para se preparar para a tarefa de lecionar em uma escola Waldorf, há cursos de formação tanto na filosofia antroposófica, quanto para o desenvolvimento artístico necessário e técnicas pedagógicas.


Mitos e verdades

1. O que é Antroposofia?
Correspondendo às suas raízes lingüísticas, a palavra Antroposofia (do grego Antropos – Homem e Sophia – Sabedoria) significa sabedoria a respeito do homem. Elaborada, em seus princípios, pelo filósofo e cientista austríaco Rudolf Steiner (1861- 1925), procura satisfazer a busca de conhecimento do homem moderno a respeito de si mesmo, buscando responder recorrentes perguntas do ser humano: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Qual é o sentido de minha existência?

Além da Pedagogia Waldorf, praticada em mais de 650 escolas em todo o mundo, a Antroposofia trouxe bases científicas para uma renovação nas diversas áreas da vida social, como a Medicina, Artes, Agricultura Biodinâmica, Terapias, Educação Especial, e muitas outras. (Veja mais no site: www.sab.org.br ).

2. Ao sair de uma escola Waldorf meu filho terá dificuldades em adaptar-se a outras escolas ou ao mundo?

A prática e relatos mostram que as crianças transferidas para outras escolas normalmente conseguem bom desempenho e boa adaptação. Freqüentemente se sobressaem quanto à capacidade de concentração, criatividade, entrosamento social, autonomia e alegria no aprender.

3. O ensino é “mais fraco”, se comparado às Escolas convencionais?

Não. A Escola Waldorf também exige muito dos alunos. A diferença está na forma com que os assuntos são trazidos às crianças, e no respeito às suas fases evolutivas.

4. E o vestibular?

Jovens ex-alunos Waldorf, mostram-se aptos a passar em qualquer vestibular, tanto quanto alunos de escolas tradicionais. Podem tornar-se bons profissionais nas áreas de ciências exatas, humanas, biológicas ou quaisquer outras. Normalmente mostram sensibilidade em relação às questões de ordem social, estando bem conectados à realidade. Enfrentam os desafios da vida com equilíbrio e com os “pés no chão”.



5. Como são feitas as avaliações numa escola Waldorf?

O progresso dos alunos é descrito detalhadamente pelos professores, nos boletins anuais. Mais do que notas por matéria, são enfocadas habilidades como perseverança, interesse, motivação e força de vontade. Esse método de avaliação permite um acompanhamento amplo do desenvolvimento da criança. As provas e testes também são aplicados, quando o professor julga necessário.

6. Como se dá o ensino da Informática?

Partindo de um estudo aprofundado a respeito do desenvolvimento do ser humano, constatamos que a criança só deveria utilizar computadores quando, simultaneamente, puder compreender o seu funcionamento mecânico. Tal habilidade surge de forma viva e livre, no Ensino Médio. Essa espera proporcionará ao jovem a capacidade de não se deixar manipular, fazendo uso consciente dos meios eletrônicos, tão importantes na época em que vivemos.

7. Como a questão dos Limites é trabalhada?

O ser humano só alcança sua maturidade aos 21 anos. A criança gradativamente conquista autonomia, responsabilidade e liberdade. O limite é imprescindível para a criança em desenvolvimento.Embora na educação infantil a criança tenha seu espaço de expressão através do brincar espontâneo, existem limites e atividades definidas, ritmo e horários, o que traz segurança para o ambiente.Do maternal ao ensino fundamental, os limites são claramente colocados pelos professores, em linguagem adequada a cada faixa etária.

8- Como é a alfabetização numa escola Waldorf?

Na Escola Waldorf, a alfabetização tem início no Ensino Fundamental, devido ao respeito que se dá a diversos aspectos do desenvolvimento da criança, e não apenas o cognitivo ou intelectual.Atualmente muitas crianças apresentam precocidade no lado intelectual, o que não quer dizer que tenham maturidade para submeter-se a um processo de alfabetização. Muitos problemas futuros podem ser evitados, quando se tem a devida paciência para esperar. Crianças que entram no primeiro ano Waldorf já alfabetizadas têm a oportunidade de conhecer as letras e a escrita de maneira viva e artística o que amplia em muito sua relação com o mundo letrado.

9- Como é tratada a Religião nas Escolas Waldorf?

A Antroposofia não é uma religião. É uma visão do Universo e do Homem obtida segundo métodos científicos. Dessa cosmovisão decorre uma imagem do ser humano, que é objeto de constante estudo para os professores.

Nas Escolas Waldorf, não se prega nenhuma confissão específica, respeitando-se a liberdade espiritual de seus alunos e familiares.O sentimento de religiosidade, que a criança naturalmente traz consigo, é cultivado na celebração das festas cristãs e também através de pequenos gestos de gratidão aos homens, à natureza e a Deus.

10- Há alguma recomendação da Escola em relação à alimentação?

As crianças devem evitar os doces na parte da manhã, pois o organismo não está apto a digeri-los, o que prejudica a concentração. Na medida do possível, o ideal é receber uma alimentação integral isenta de agrotóxicos.

11- Como é a formação do professor Waldorf?

O professor Waldorf, além da formação tradicional exigida pelo MEC, passa por uma formação específica, que consiste nos Cursos de Formação em Pedagogia Waldorf. Fazem parte da formação matérias teóricas como as que tratam do currículo e do desenvolvimento da criança. Filosofia, Arte, História da Arte, Música, Trabalhos Manuais, entre outras.Entretanto, a formação de todo professor se completa dentro da sala de aula, no exercício diário da sua missão.Num mundo onde valores humanos são cada vez menos considerados, temos a árdua tarefa de lutar contra uma corrente que prega a alienação, a massificação de idéias, a falta de sensibilidade. O professor, como agente transformador da sociedade, começa tansformando-se a si próprio.A relação professor-aluno é o aspecto mais importante para uma educação integral. Informações podem até ser transmitidas por meios eletrônicos. Educação, não.

12- As Escolas Waldorf são reconhecidas pelo MEC?

Sim. E têm suas Propostas Político Pedagógicas avaliadas como uma das mais completas e adequadas aos novos Parâmetros Educacionais mundiais.

13- Como são administradas?

A organização administrativa de cada instituição Waldorf segue o princípio da autogestão. Não há dono, mas conselhos. Cada escola é representada juridicamente por uma Associação sem fins lucrativos, no nosso caso, a Associação Pedagógica Itacolomi), da qual participam professores, pais, e aqueles que sentem afinidade com os seus propósitos educativos e culturais. Esta filosofia, ou tipo de gestão que dela provém, não muda em nada quaisquer responsabilidades pedagógicas, financeiras ou jurídicas. A Escola Waldorf responde a todos esses níveis, como qualquer outra escola.

“ A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmo, encontrar propósito e direção para suas vidas.”

Rudolf Steiner

Texto e imagens: Lume Jardim de Infância (www.lumejardim.com.br)




Princípios da Pedagogia Waldorf

A natureza faz do ser humano um mero ser natural;
a sociedade, um ser que age segundo leis;
somente ele próprio pode fazer de si um ser livre.

Rudolf Steiner
Trad. V.W.Setzer


A Pedagogia Waldorf concebe o homem como uma unidade harmônica físico-anímico-espiritual e sobre esse princípio fundamenta toda a prática educativa.

Considera o lado anímico-espiritual como a essência individual única de cada ser humano e o corpo físico como sua imagem e instrumento.

Parte da hipótese de que o ser humano não está determinado exclusivamente pela herança e pelo ambiente, mas também pela resposta que do seu interior é capaz de realizar, em forma única e pessoal, a respeito das impressões que recebe. Considera que o homem ao nascer é portador de um potencial de predisposições e capacidades que, ao longo de sua vida, lutam por desenvolver-se.

A partir de uma visão antropológica, a Pedagogia Waldorf propõe uma concepção sobre o homem que abrange todas as dimensões humanas, em íntima relação com o mundo; explica e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos, segundo princípios gerais evolutivos que compreendem etapas de 7 anos, denominadas setênios.

Cada setênio apresenta momentos claramente diferenciáveis, nos quais surgem ou despertam interesses, perguntas latentes e necessidades concretas.

No primeiro setênio (0-7anos), a criança emprega todas as suas energias para o desenvolvimento de seu físico. Ela manifesta toda sua volição através de intensa atividade corporal.

Essa atividade, que atua na formação do físico do homem, se metamorfoseia na maior ou menor capacidade de atuar na vida adulta com liberdade no âmbito cultural-intelectual.

Nessa fase a criança tem uma grande abertura em relação ao mundo. Ela acolhe sem resistência anímica tudo o que lhe advém do ambiente em redor, entregando-se ao mundo com CONFIANÇA ilimitada. Vive num estado de ingenuidade paradisíaca, num mundo em que o bem e o mal se confundem indistintamente.
Na criança, todos os órgãos de percepção sensória estão abertos e, a partir de uma intensa atividade em seu interior, ela responde com a repetição dos estímulos vindos do ambiente exterior, a IMITAÇÃO. Essa imitação é a grande força que a criança de 1° setênio tem disponível para a aprendizagem, inclusive a do falar, do fazer, do adequado ou impróprio no comportamento humano. E é por uma imitação mais sutil que ela cria, ainda sem consciência, o fundamento para sua moralidade futura.

Nesse período a criança tem muitos amigos. Ela está aberta a contatos com outros, porém as amizades ainda são bastante superficiais, não atingindo efetivamente o outro; são muito mais destinadas a trazer o outro para o seu próprio mundo e brincar.

Durante esse 1º setênio, a relação mais importante com o mundo exterior transcorre de fora para dentro. Todavia, as experiências adquiridas ainda não são centralizadas no eu, ou seja, no centro de sua consciência.

No segundo setênio (de 7 a 14 anos), a criança passa a ter todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anímico. Emancipando-se da vida puramente corporal, as energias infantis reaparecem metamorfoseadas em boa memória, imaginação, prazer em repetições rítmicas e freqüentemente em desejo de conhecer imagens de caráter universal capazes de estimular a fantasia.

O pensamento da criança dessa fase é nascido mais das energias do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. Este pensar é, portanto, ainda muito diferente do pensar analítico e especulativo do adulto.

A grande força para aprender, nesse momento, é a capacidade de vivenciar imagens interiores intensamente. Essas imagens falam ao mundo dos sentimentos das crianças e é por intermédio delas que a criança se liga aos conteúdos apresentados.

Por volta dos nove anos, no entanto, a criança vivencia uma distância entre ela e os adultos, entre ela e o mundo e isto lhe causa insegurança. Começa então, inconscientemente, a questionar a autoridade a que antes se entregou e busca justificar sua admiração e veneração para readquirir segurança.

Por volta dos dez / doze anos, o corpo da criança começa a perder as características da infância: predomina o crescimento dos membros e o desenvolvimento do sistema muscular se torna mais importante. Inicia-se, aí, o período em que ela inclina-se à crítica e surge uma nova capacidade de raciocinar. Só agora, por volta de doze anos, a criança é capaz de compreender as relações causa-efeito, ou seja, entende e busca legitimamente as leis que regem os fenômenos. Ainda nesse período, toma suas próprias vivências como referência para compreensão deles; só mais tarde terá a capacidade de olhá-los de forma isolada, ou seja, do ponto de vista exclusivamente intelectual. Nas relações sociais, as crianças dessa fase tendem a ser camaradas e justas com os colegas, levados por sentimentos morais e honradez. Tudo nessa fase, inclusive as travessuras, têm seu encanto.

No final desse setênio, entre doze e catorze anos, começa o complexo de sintomas da puberdade. Os processos de transformação dentro do corpo do púbere perturbam a harmonia de sua vida anímica. Surge o desequilíbrio e antipatia aos valores tradicionais até então aceitos. A reflexão intensa sobre tudo o que até agora estava estabelecido causa uma grande inatividade - " preguiça"; por outro lado, todos os processos corpóreos exigem muita atividade física.

No terceiro setênio (14 a 21 anos), o jovem entra numa relação totalmente nova com o mundo. Liberam-se as energias anímicas, ou seja, elas tornam-se independentes. No entanto, a trajetória de desenvolvimento do anímico constitui a base da vida emotiva pessoal, em que a vida se torna assunto próprio e interrogação individual sobre tudo que existe.

Uma vez liberadas as forças anímicas, desperta o pleno desenvolvimento das forças do pensar lógico, analítico e sintético. É nesse pensar e no discernir que o jovem vai buscar respostas às perguntas existenciais que surgem. É típico, nessa fase, o caráter enciclopédico, o entusiasmo pelo conhecimento e pela compreensão de fatos, a realização de experiências com perseverança e tenacidade. A esperança e o fracasso são os pólos entre os quais a vida passa a se desenrolar.

A solidão é uma intensa vivência da puberdade e é a partir dela que o jovem procura o caminho que o conduz ao próximo e a sua própria identidade. Surge daí o desejo de experienciar algo junto aos outros e sentir-se protegido pelo grupo de amigos. Ele anseia por novos pontos de apoio e quer reconhecer o mais velho como um guia numa atmosfera amistosa, pois autoridade para ele, agora, é um insulto a sua personalidade.

Pode-se considerar a puberdade como um acontecimento dramático e grandioso na vida juvenil. O amadurecimento sexual, embora seja um grande drama real, não é o mais importante, pois há outros tantos com os quais o jovem tem que lidar.

Paralelamente, ao despertar para a realidade da sexualidade, há o despertar para a realidade da Terra. Surge então a capacidade de amar profundamente, não apenas o sexo oposto, mas a humanidade como um todo. Esse é o momento em que se desenvolve no jovem um vigoroso idealismo, a busca pela verdade, a vontade de mudar o mundo e torná-lo mais fraterno. Sentindo-se co-responsável pela futura estrutura social, despertam-se-lhe os impulsos de luta, realização e atuação. Assim, o jovem prepara-se para, através de uma profissão, atuar na vida social, onde acredita ser possível realizar os ideais formados na juventude.

Ao observar-se o desenrolar dos 3 setênios e fazer-se um paralelo entre o desenvolvimento da humanidade e o do indivíduo, é possível notar que, nos dois primeiros setênios e parte do terceiro (até ao redor dos 16 anos), o ser humano reconstrói em si a evolução que a Humanidade foi realizando através das diferentes etapas históricas. Isto é, o nível de consciência vai sendo conquistado paulatinamente, do nascimento à juventude, como a Humanidade o fez da Antigüidade aos dias atuais.

Esta observação, fundamentada no conhecimento profundo das características evolutivas e no conhecimento da conquista paulatina de consciência, requer que a ação pedagógica promova, facilite e maximize a aprendizagem e dê resposta aos interesses, perguntas latentes e necessidades concretas da criança. Pois é só respondendo à expectativa presente no educando que a aprendizagem adquire caráter significativo.

A educação assim entendida transcende a mera transmissão de conhecimentos e se converte em sustentação do desenvolvimento integral do educando, cuidando que tudo o que se faça tenha como meta a formação de sua vontade e o cultivo de sua sensibilidade e intelecto.

Em conseqüência, a Pedagogia Waldorf organiza os conteúdos curriculares no tempo e no ritmo adequados à situação evolutiva específica, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais.

Deste modo, procura-se estabelecer uma relação harmônica entre desenvolvimento e aprendizagem, fazendo confluir a dinâmica interna da pessoa com a ação pedagógica direta, ou seja, integrando os processos de desenvolvimento individual com a aprendizagem da experiência humana culturalmente organizada.

A Pedagogia Waldorf dá especial atenção para que no ensino se encontrem entretecidos pontos de vista científicos e estético-artísticos com os aspectos relativos ao respeito profundo e à admiração ante o mundo.

Aprofundando-se nos estudos antropológicos e ampliando-os, Rudolf Steiner compreendeu que os fundamentos para a realização dos ideais humanos de convivência moral-social, baseados na liberdade com responsabilidade, fraternidade, respeito mútuo, consciência plena de igualdade de direitos e deveres, desenvolvem-se na criança e no jovem, através do cultivo da admiração e da veneração, os quais só podem se dar através de uma religiosidade livre e verdadeira. Respeitando todas as religiões, foi no cristianismo que Rudolf Steiner encontrou caminho para essa religiosidade. Assim, as Escolas Waldorf têm sua pedagogia permeada por valores cristãos livres de qualquer instituição confessional.

Fonte: http://www.sab.org.br/

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Donald Winnicott - Educar para Crescer

Frases de Donald Winnicott:

"O precursor do espelho é o rosto da mãe."



"O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir."


O psicanalista Donald Winnicott trabalhava com crianças separadas de suas famílias em consequência da Segunda Guerra Mundial quando encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Donald Winnicott constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores.

Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao "desenvolvimento emocional primitivo", cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o "ambiente", representado geralmente pela mãe.

Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. "O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula", diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. "É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único." A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. "Se a mãe aceitar as manifestações do bebê - como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro", explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.

Aconchego e proteção
Uma das frases famosas de Winnicott é "não existe essa coisa chamada bebê", querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da "mãe suficientemente boa", aquela cuja percepção - consciente ou inconsciente - das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente - nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria "colo") - propício a um processo de formação de um ser humano independente. "O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe", diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce.

"Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar", segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo "inclusão", se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. "No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de 'mau comportamento'. "Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade", diz Bogomoletz. "Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."

O cobertorzinho
O movimento da psique entre o mundo das coisas e as fabricações da mente é uma atividade "transicional", adjetivo fundamental na obra de Winnicott. O conceito mais conhecido é o de "objeto transicional", representado classicamente pelo cobertorzinho a que muitos pequenos se agarram numa determinada fase. "Esse objeto é ao mesmo tempo uma coisa objetiva - existe num mundo compartilhado - e subjetiva - para seu dono, ele faz parte de uma fantasia, possui vida própria", explica Bogomoletz.

Dessa forma, o objeto transicional prolonga o período em que o bebê se acredita onipotente, enquanto ele substitui essa crença com a aceitação de uma realidade sobre a qual não tem controle nem pode modificar por meio da imaginação. O bebê se vê com poderes mágicos e, com o tempo, percebe a ilusão. Mas, com as brincadeiras e o aprendizado do mundo, a criança, o adolescente e o adulto retêm o poder de criar e adaptam-se às possibilidades reais. "A fantasia é realmente a marca do humano", diz Bogomoletz. "Já a objetividade é uma habilidade que se aprende, como uma segunda língua."

"A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar", prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, "os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias".

Formação nos campos de guerra
Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971.

Análise da própria infância e marcas da psicanálise
O interesse de Winnicott pelo estudo da construção da identidade veio da percepção da influência sufocante da mãe depressiva em sua personalidade. Ainda criança, Winnicott enveredou pelos caminhos da observação científica ao ler os estudos do naturalista Charles Darwin (1809-1892). Já pediatra, conheceu a obra de Sigmund Freud (1856-1939), fez terapia e freqüentou o grupo de Bloomsbury - integrado, entre outros, pela escritora Virginia Woolf (1882-1941) -, em que a psicanálise era tema recorrente. Seu trabalho chega ao Brasil com a criação de várias instituições winnicottianas.


Fonte:

http://educarparacrescer.abril.com.br/

domingo, 3 de julho de 2011

Meu filho não me escuta


De Naomi Aldort

“Meu filho deveria me escutar”

Pergunta: Meu filho de sete anos parece não me escutar. Estou tão confusa. Simplesmente não sei onde eu errei. Ele não deveria me escutar se temos que deixar a pracinha, ficar pronto para sair, sentar-se à mesa, vestir seu casaco ou ficar quieto?
Resposta: O pensamento “ele deveria me escutar” é a origem de toda a confusão. Você ou eu não temos como saber que ele não escuta, ou que ele deveria escutar.

PERGUNTE A NAOMI

Para mim o que você diz é que ele não faz o que você fala. Quando uma criança não segue a nossa lógica nós dizemos que ela “não está ouvindo”. Ainda assim, você realmente quer que a sua criança obedeça somente porque você é maior ou mais velha? Você quer que ela tenha medo de você, e aja contra seu guia interior.
A maioria de nós quer garantir que uma criança cresça pensando por si própria , que no futuro ela não siga ninguém cegamente,que tenha uma boa afirmação e seja confiante. Esperamos que ela saiba se defender na presença de transgressores sexuais , das drogas, das “porcarias”e dos sempre sedutores shoppings e da mídia. Por que treinar o seu filho para obedecer? Se for para ele ser autoconfiante e capaz, ele precisa escutar a si próprio. Pelo que você me falou, ele já está fazendo isso. Com tamanha confiança ele saberá escolher quem e quando escutar ,e pelo que se mover.
Por que é tão difícil confiar que a resposta do seu filho seja do jeito que tem que ser quando ele não faz o que você diz? Porque a sua própria mente está muito ocupada tentando distrair você do seu bom senso natural e amor. Amparada pela mídia, pelos avós e pelos amigos, a sua mente acredita que o seu filho deve ser algo diferente do que ele é, embora, bem no fundo você não acredite nisso. Se o seu filho não quer compartilhar ou se vestir, a mente pode berrar dentro da sua cabeça: “ele deveria ...” Se você ficar presa na pauta da sua mente, perderá de notar a sua criança que está no lugar certo, fazendo seu trabalho no tempo exato.
Olhe para quando você realmente confia e aprenda por si própria: você empurrou seu filho para fora do útero aos 8 meses para garantir que ele aprendesse a respirar? Você o ensinou a andar ou a falar? Observando as áreas em que você confia tranquilamente, perceberá que as outras áreas, que a sua mente diz pra se preocupar não são diferentes. Ele lerá quando for o tempo, se vestirá quando se vestir, terá boas maneiras quando tiver, compartilhará quando quiser compartilhar e fará sua própria comida quando fizer. Apenas esteja lá e assista para comprovar tudo isso.
Quer dizer que você não deve fazer nada? Claro que não é isso. Mas, em vez de direcionar, você responderá ao seu verdadeiro filho, do jeito que ele é. A sua mente pode ser que reclame e grite com muitos pensamentos amedrontadores; se você obedecer a essas vozes irá sofrer e afastará seu filho de confiar em si próprio. Em vez disso, para poder sair do caminho e suprir as necessidades, fique alerta às intenções dele.
Então, observe a sua expectativa de que ele deveria escutá-la e veja como pode se beneficiar do seu próprio aprendizado. Ele está escutando quando se recusa a fazer o que você diz. Você o está escutando quando ele afirma a sua vontade? Você está se escutando? Dentro de você está a verdade, que você quer que o seu filho confie em si próprio e dirija sua própria vida. A boa notícia é: Ele está fazendo isso!
É inútil tentar controlar a escuta ou as ações de outra pessoa. Mas, você tem poder sobre si mesma; você pode escutar. Quando você escuta no sentido amplo da palavra, você planeja as coisas de modo a diminuir os conflitos e a vida flui sem tanta batalha.
Em uma consulta telefônica, um pai australiano desabafou comigo sobre a recusa de seu filho a usar chapéu nos dias de sol forte. Como você, ele estava pensando que seu filho deveria “escutá-lo”. Com “escutá-lo” ele queria dizer fazer o que ele fala. Apesar das explicações do pai, o menino continuava tirando o chapéu. Eu perguntei a esse pai se ele se submeteria a alguém que colocasse o chapéu, casaco ou cachecol nele contra sua vontade. Ele percebeu imediatamente que não permitiria aquilo e celebrou o fato de seu filho saber se cuidar com tanta autoconfiança. Bem, mas, ele deve usar o chapéu, não deve? Quando esse pai escutou, ele entendeu que seu filho não gostava de usar chapéu. Embora o pai tenha explicado para o menino porque isso era importante, obviamente, a criança não estava convencida.
Sem o pretexto de que o menino deveria “escutar”, o pai foi capaz de inventar algumas soluções: Criar uma atividade que se desenrole na sombra; levá-lo a uma loja para escolher um chapéu que ele goste; mostrar um vídeo que explique porque deveria usar chapéu; permanecer dentro de casa; sair pra passear de manhã cedo e à tardinha quando o sol está ameno; colocar creme protetor solar ou mover a caixa de areia para uma área sombreada do terreno.
O que de fato aconteceu? Esse pai escutou. Ele disse para o seu filho: entendo que você não gosta de usar chapéu. Preocupa-me que o sol possa te queimar. Você pode me dizer o que o incomoda sobre o chapéu? A criança falou e o pai fez mais algumas perguntas até que soube exatamente que tipo de chapéu empolgaria seu filho e, quais outras soluções funcionariam.
Outro exemplo típico é quando os pais dizem: “ela não me escuta quando está na hora de ir para casa.” Se você escutá-la perceberá que ela precisa de mais tempo na pracinha e, planejará melhor da próxima vez: você leva comida, roupas extra, fraldas para o bebê. Planeje menos saídas que sejam mais longas etc.
Tem vezes que você precisa ir embora antes que a criança tenha se divertido o suficiente. Sua filha escutará você quando lhe falar honesta e amorosamente. -“Temos que ir pra casa agora” é ditador e desonesto. “Nós” não precisamos realmente ir embora. Você quer ir para casa. O bebê talvez precise de cuidados que são mais fáceis em casa; você pode estar com frio, com fome ou impaciente e gostaria de jantar, etc. Nada é uma obrigação quando a preferência da criança é levada em consideração com a mesma urgência.
Freqüentemente usamos frases do tipo:- “está na hora;” -“vamos” ;ou: -“nós temos que” com a intenção de disfarçarmos o nosso franco:- “eu quero”. Não é de surpreender que as crianças respondam mais positivamente à conexões baseadas em honestidade e que elas de fato preferem fazer algo por nós do que o elusivo:- “nós” e, -“isso é” .
Para ser honesto, você pode dizer para a criança:
“- Eu vejo que você quer continuar brincando. Eu gostaria de ir para casa logo. Quantas vezes mais você quer escorregar antes de ir?”
A maioria das crianças falaria um número razoável como cinco ou dez vezes mais. Todavia, mesmo 100 vezes uma hora termina e a maior parte das crianças perde o interesse bem mais rápido do que pensávamos. Um processo tão honesto de boa vontade e respeito é pacífico, e faz valer a pena a espera.
Naturalmente, você afasta a criança de perigos e situações que a prejudiquem, porém, mesmo nessas situações , a questão não é se ela está ou não te escutando. – “ele deveria me escutar” (querendo dizer fazer o que eu digo), simplesmente não é verdadeiro, quando o fato é que ela não o faz. O jeito que ela é me diz o jeito que ela deveria ser. Conhecer a verdade é muito útil para você e pode salvar uma vida. Se o seu filho que está recém aprendendo a andar sair para a rua, obviamente ele não a escutou. Quando você estiver em paz com a verdade de que ele simplesmente não irá escutar, você age no sentido de protegê-lo do perigo. Escutar o seu filho é conhecê-lo e responder à realidade e não a uma ilusão.
Como você saberá o que esperar em cada idade? Minha resposta é: Observe. O que a criança está fazendo é a prova viva do que ela deveria ser. O mesmo se aplica a você que está fazendo o seu melhor o tempo todo, e qualquer tentativa externa para mudá-la, só atrapalha o seu curso. Seu filho está correndo o mais rápido que pode para se tornar um adulto. Quando alguém está correndo o mais que pode, um empurrão só fará com que caia.

Naomi Aldort é a autora de “ Raising Our Children, Raising Ourselves” (Criando Nossos Filhos Criando nós Mesmos). Pais e mães do mundo inteiro procuram pelo seu aconselhamento por telefone, pessoalmente e escutando seus CDs, e participando dos seus “workshops”. Suas colunas de conselho aparecem em revistas de paternidade/maternidade progressivos no Canadá, EUA, Austrália, no Reino Unido, e são traduzidos para o alemão, hebreu, holandês, japonês e espanhol. Ela é casada e mãe de três filhos . Seu filho mais novo, Oliver Aldort, tem treze anos de idade e é violoncelista (www.oliveraldort.com). Para mais informações sobre a Naomi visite as páginas www.NaomiAldort.com ou www.AuthenticParent.com.


Permitida a divulgação e veiculação, desde que citada a fonte: http://www.slingando.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Pedagogia humanista de Carl Rogers

Me pediram para postar sobre os diversos tipos de Pedagogia diferentes da tradicional, não sou educadora, mas pretendo trazer alguma contribuição para vocês do que conheço e pesquiso.
Assim sendo, aí vai um texto sobre a pedagogia de Carl Rogers, conheço bastante a parte do trabalho dele com a Psicologia, mas com certeza na Educação também tem muitos seguidores, garanto que é muito interessante. Vale a pena dar uma olhada.

A Pedagogia humanista de Carl Rogers

Texto de: Fabíola Langaro, Geórgia Bunn Santos e Maria Aparecida Oltramari (Psicólogas)

Fonte: http://jornaloutro.blogspot.com/
A educação, segundo uma visão humanista, deveria englobar todo o sujeito, ou seja, incluir neste processo a aprendizagem não só no aspecto cognitivo, mas também nos aspectos emocional e de vivência. Para Carl Rogers, representante do humanismo, a política de educação deve estar centrada no aluno, que participará ativamente das decisões norteadoras de sua aprendizagem.
A teoria humanista vê o homem como centro de interesse, sendo o modelo do mundo. Este homem se caracteriza pela sua dignidade, individualidade, subjetividade e liberdade. A realidade é particular e individual, pois cada sujeito a percebe de acordo com o que experimenta.
Dessa forma, o homem é visto em sua totalidade e, portanto, a educação deveria seguir o mesmo princípio. O processo de aprendizagem significativa será mais completo, profundo e duradouro se envolver não só cognição, mas também os sentimentos e as experiências vivenciadas pelo estudante.
Rogers propôs que a educação

“seria a criação de condições nas quais os alunos pudessem tornar-se pessoas de iniciativa, de responsabilidade, de autodeterminação, de discernimento, que soubessem aplicar-se a aprender as coisas que lhe servirão para a solução de seus problemas e que tais conhecimentos os capacitassem a se adaptar com flexibilidade às novas situações, aos novos problemas, servindo-se da própria experiência, com espírito livre e criativo”.
(Misukami, p. 45, 1986).

Rogers criticou a política de ensino tradicional, por fazer do professor o possuidor do conhecimento e o aluno, recipiente. O professor é possuidor do poder, regendo pela autoridade a prática em sala de aula, mantendo a ordem e a disciplina através do amedrontamento dos alunos, que o obedecem.

“A aula, ou algum meio de instrução verbal, é a forma principal de colocar conhecimento no recipiente. O exame avalia até onde o estudante o recebeu. Estes são os elementos centrais deste tipo de educação”.
(Rogers, p.134, 1977).


Sua crítica principal era de que, desta forma, o sistema educacional dá lugar apenas ao intelecto, e não para o ser humano como um todo.
A filosofia rogeriana para a educação consiste em centrar no estudante a responsabilidade pelo seu aprendizado. Para que isto seja possível, é necessário que haja a precondição estabelecida por Rogers, de que a pessoa que irá ocupar o papel do professor tenha confiança suficiente e si mesma e se torne facilitador, confiando na capacidade que os alunos possuem de aprender por si próprios. Satisfeita esta precondição, os alunos devem participar do planejamento curricular, decidindo com o grupo que atividades serão realizadas. O importante é favorecer o processo contínuo de aprendizagem, onde o bom resultado aparece quando o estudante aprende a aprender, ou seja, se conhece o suficiente para entender os mecanismos que facilitam a aquisição do conhecimento preterido.
A disciplina externa é substituída pela auto-disciplina. A avaliação é fundamentalmente uma auto-avaliação, que pode ser enriquecida pelo facilitador e pelo grupo.
Estes fundamentos marcam as diferenças entre a educação tradicional e a educação empreendedora de Rogers. Sua intenção era a de promover o crescimento do ser humano, envolvendo todos os aspectos de sua vida. O objetivo é chegar a uma aprendizagem significativa, que só é obtida porque a direção da aprendizagem é escolhida pelo estudante, a aprendizagem é auto-iniciada e, principalmente, pelo fato de a pessoa estar investida inteira no processo.
Assim, a educação humanista volta-se para a obtenção de aprendizagens que vão além do intelecto, objetivando uma formação integral do ser humano, para que este chegue a ter uma vida feliz e repleta de experiências satisfatórias. Rogers conseguiu fundamentar os passos para se chegar à realização efetiva destes objetivos, e propôs uma verdadeira revolução na política da educação existente na década de 70.




REFERÊNCIAS

MISUKAMI, Maria da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: E.P.U., 1986.
ROGERS, Carl R. A pessoa como centro. São Paulo: E.P.U, 1977.
SCHULTZ, D. P. e SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 2001.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Infância Roubada

Infância Roubada

Rosely Sayão

Uma jovem mulher escreveu pedindo orientação. Ela contou que tem pouco mais de 30 anos, e o marido, quase 70. Juntos tiveram uma filha, hoje com quatro anos. Ela quer saber como preparar a garota para o luto do pai.
Uma outra tem um filho de seis anos que frequenta uma escola em que o primeiro ano do ensino fundamental é tratado de forma cuidadosa, segundo inclusive a orientação do MEC, já que as crianças ainda estão na primeira infância. Apesar de perceber o quanto o filho se desenvolve brincando na escola, ela tem uma dúvida que não a deixa em paz.
Ela pensa que, já que a partir do segundo ano os estudos terão de ser levados com mais seriedade pelo filho, talvez seria melhor a escola cobrar mais das crianças desde o primeiro ano. Por isso, fica na dúvida se não deveria colocar o filho em uma escola que já fizesse isso, mesmo sabendo que o garoto adora ir para a escola atual e que ela colabora bastante para o desenvolvimento de seu potencial.
Essas duas mulheres, que trazem questões aparentemente tão distintas, nos mostram como temos tratado as crianças pequenas.
Temos nos ocupado tanto com seu futuro que esquecemos que elas têm um presente que precisa ser vivenciado, explorado, vivido até as últimas consequências. Aliás, antes de tudo, vamos lembrar que a maneira como vivemos o presente ajuda a desenhar o traçado do futuro.
Será que, porque o destino da criança é crescer, precisamos fazer com que isso aconteça o mais rapidamente possível? Não faz o menor sentido pensar e agir assim. Seria a mesma coisa pensar que, já que vamos mesmo morrer, não faz o menor sentido viver, não é verdade?
Vamos, mais uma vez, tentar aplicar o mesmo raciocínio à vida adulta.
Um profissional sabe que, para alcançar uma meta desejada na carreira, terá de, em um futuro próximo, realizar um trabalho de alguns meses em outro país. Ele sabe também que isso acarretará um afastamento da família por esse período.
Por acaso julgaríamos sensato se ele pensasse que a maneira de amenizar esse tempo de afastamento seria começá-lo a praticar desde já, meses antes de o fato acontecer?
Claro que não. Ao contrário: se pudéssemos dar algum conselho a ele, diríamos o oposto: "Aproveite o convívio familiar o máximo que puder antes de viajar". É ou não é verdade isso?
E por que, justamente com as crianças pequenas, praticamos a insensatez de empurrá-las em velocidade cada vez maior para um futuro que só podemos imaginar como será?
Vai ver a infância nos incomoda, porque mostra que o nosso futuro já não é tão amplo quanto gostaríamos que fosse: já vivemos parte dele.
Ou então já não lembramos mais que a maioria dos adultos chegou onde chegou tendo vivido calmamente a sua infância, sem grandes preparações para o futuro. E isso faz com que a gente tente atropelar a infância de quem hoje é criança. Ou será que queremos roubar a infância de nossas crianças porque não sabemos o que fazer com elas, porque elas atrapalham a nossa vida presente?
Sim: a filha da primeira leitora citada terá de, algum dia, passar pelo luto da perda do pai. Aliás, da mãe também e de muitos outros entes queridos. Em que ordem?
Não sabemos. Por que, então, começar a matar desde já o seu pai se ele está bem vivo ao lado dela?
O filho de nossa segunda leitora também terá de enfrentar maiores responsabilidades a partir do próximo ano letivo. Então, por que não deixar que aproveite, brincando muito, o último ano da primeira parte de sua infância?
A criança deve ter o direito de ser criança enquanto pode. Deveríamos, todos, defender essa causa.
ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

FOLHA SP de 03.05.2011

"Você tem a vida inteira pra ser adulto e apenas 10 anos pra ser criança"